Turismo de Saúde avança no mundo e expõe potencial ainda pouco explorado pelo Brasil
- Comunicação

- há 2 dias
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O turismo de saúde se consolidou como uma das vertentes mais dinâmicas da economia global. A prática — definida como o deslocamento de pessoas para realizar tratamentos médicos ou hospitalares — movimenta hoje entre US$ 40 bilhões e US$ 300 bilhões por ano, a depender do escopo considerado.
As estimativas mais restritivas incluem apenas serviços médicos e hospitalares. Já as mais amplas incorporam despesas com transporte, hospedagem, medicamentos, reabilitação e acompanhantes, elevando significativamente o impacto econômico total. Independentemente da metodologia, há consenso quanto ao ritmo de expansão: o setor cresce entre 12% e 15% ao ano e pode dobrar de tamanho em menos de uma década.
Esse crescimento é sustentado por fatores estruturais. O envelhecimento da população global, o aumento das doenças crônicas e os altos custos dos sistemas de saúde em países desenvolvidos impulsionam a busca por alternativas mais acessíveis. Ao mesmo tempo, países emergentes ampliaram a oferta de serviços médicos de qualidade a custos mais competitivos. Longas filas de انتظار em sistemas públicos, maior acesso à informação e avanços como a telemedicina também contribuem para esse movimento.
O fluxo internacional de pacientes segue dois padrões principais: de países pobres, onde há carência de infraestrutura médica, e de países ricos, onde os custos são proibitivos ou a cobertura é limitada. Em ambos os casos, os destinos tendem a ser países intermediários que conseguiram estruturar uma indústria de saúde eficiente, como Costa Rica, Índia, Tailândia, Malásia e México.
O Brasil, apesar de contar com hospitais e profissionais de padrão internacional, ainda ocupa posição modesta nesse mercado. O país recebe entre 60 mil e 70 mil turistas de saúde por ano, em sua maioria oriundos de países vizinhos como Venezuela, Peru, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Esses pacientes permanecem, em média, dois meses no país, viajam acompanhados e geram um gasto individual entre US$ 55 mil e US$ 65 mil.
Ainda assim, o Brasil aparece apenas por volta da 20ª posição entre os destinos mais procurados. A baixa visibilidade internacional e a ausência de estratégias consistentes de promoção ajudam a explicar esse desempenho. Em contraste, países concorrentes incorporaram o turismo de saúde como política econômica, integrando os setores de saúde e turismo para geração de receita e empregos qualificados.
Outro dado relevante é o fluxo inverso. Estima-se que entre 1,5 milhão e 2 milhões de brasileiros viajem anualmente ao exterior em busca de tratamento médico, seja por especialização, percepção de qualidade ou acesso a tecnologias específicas.
Diante desse cenário, entidades do setor defendem uma mudança de estratégia. A proposta é inverter o fluxo atual e transformar o Brasil em destino relevante para pacientes internacionais. A meta sugerida é atrair até 2 milhões de turistas de saúde, com gasto médio entre US$ 6 mil e US$ 8 mil por procedimento ambulatorial, o que poderia gerar entre US$ 12 bilhões e US$ 16 bilhões em receitas adicionais.
Há nichos claros de oportunidade. Áreas como ortopedia, medicina esportiva, odontologia e cirurgia plástica já possuem reconhecimento internacional. O segmento de estética e bem-estar, incluindo spas, também amplia o escopo do turismo de saúde. Além disso, o país começa a atrair demanda em obstetrícia, impulsionada por características específicas do sistema de saúde brasileiro.
Embora a maior parte dos investimentos seja privada, especialistas apontam que o avanço do setor depende de algum nível de coordenação. Entre os fatores críticos estão a ampliação da infraestrutura médica, a obtenção de certificações internacionais, a formação de parcerias com seguradoras globais e a criação de pacotes integrados entre hospitais e operadoras de turismo.
A simplificação de vistos e processos burocráticos também é apontada como um entrave relevante. Além disso, a capacitação de profissionais para atendimento a pacientes estrangeiros — incluindo aspectos culturais e linguísticos — tende a ganhar importância à medida que o mercado se expande.
O turismo de saúde evoluiu significativamente nas últimas décadas. O que começou, nos anos 1990, como um complemento ao turismo tradicional, transformou-se em uma indústria global estruturada, com participação ativa de seguradoras, operadoras e governos. Países que souberam se posicionar colhem hoje os resultados.
O Brasil reúne condições objetivas para competir nesse mercado, mas ainda carece de estratégia e articulação. Sem mudanças, tende a permanecer como um destino periférico. Com coordenação e posicionamento adequado, pode se tornar um dos protagonistas de um setor que cresce de forma acelerada no mundo.
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Fabio Nogueira
VP de Longevidade
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