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O endividamento também entrou na pauta do RH das empresas

  • Foto do escritor: Comunicação
    Comunicação
  • há 23 horas
  • 3 min de leitura
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Na semana passada, participei pela primeira vez do RH Summit , em São Paulo, mediando uma conversa sobre atração em operações críticas, ao lado de Renata Rodrigues , da International School of Curitiba, e Cristiane Dos Santos Azevedo , da Grupo Pernambucanas.


O tema, por si só, já carregava um peso importante. Quando falamos em operações críticas, não estamos falando apenas de contratar melhor. Estamos falando de manter lojas, escolas, centros de distribuição, hospitais, serviços e empresas funcionando em um cenário no qual a falta de pessoas não reduz apenas a performance. Em muitos casos, ela interrompe a operação.


Mas um dos pontos mais fortes da conversa veio de uma fala da Cristiane sobre inadimplência.

E talvez esse seja um dos temas menos discutidos quando falamos sobre atração, retenção e saúde dos colaboradores.


Muito se fala, com razão, sobre saúde mental, equilíbrio emocional, clima organizacional, liderança mais humana e qualidade de vida no trabalho. Mas existe uma camada anterior, mais dura e muitas vezes invisível, que pesa todos os dias na cabeça de milhões de trabalhadores: a vida financeira.

Quando o crédito consignado já compromete uma parte relevante da renda do trabalhador, e estimativas apontam que grande parte dos brasileiros está endividada, fica claro que o problema não começa apenas dentro da empresa. Muitas vezes, ele chega com a pessoa antes mesmo do primeiro horário de trabalho.


E isso sem contar outras obrigações legítimas que também pesam sobre a renda, como pensões para filhos ou ex-cônjuges, parcelas atrasadas, renegociações, cartões, empréstimos e contas acumuladas.

Durante muito tempo, criticamos o profissional que trocava de emprego por R$ 100 ou R$ 200 a mais no salário. Do ponto de vista da empresa, parecia falta de compromisso. Do ponto de vista da operação, parecia instabilidade. Mas, talvez, para quem está financeiramente enforcado, essa diferença represente a possibilidade de fechar o mês com um pouco menos de angústia.


Às vezes, R$ 100 não são apenas R$ 100.


Podem ser a conta de luz que não atrasa. O remédio comprado sem parcelar. A comida que chega até o fim da semana. A parcela que evita uma ligação de cobrança. A sensação mínima de respirar.

É nesse mesmo cenário que também precisamos olhar para o avanço das bets e das apostas online. Quando alguém aposta R$ 5 ou R$ 10 acreditando que pode transformar isso em alguns milhares girando uma roleta virtual, talvez não esteja apenas buscando diversão. Em muitos casos, está tentando comprar uma saída rápida para um problema que parece não ter solução.


Não é esperança. É desespero.


Por isso, há muito mais nuances do que imaginamos quando falamos sobre contratação, turnover e permanência das pessoas no trabalho. Salário importa. Benefícios importam. Escala importa. Liderança importa. Mas a vida que esse colaborador leva fora da empresa também importa.


Se a casa está desorganizada, se a vida financeira está em colapso, se a família está pressionada, se o trabalhador chega ao expediente carregando medo, dívida e cobrança, dificilmente ele conseguirá entregar seu melhor todos os dias.


Isso não significa transformar a empresa em responsável por todos os problemas da vida de alguém. Mas significa reconhecer que a gestão de pessoas não pode mais tratar o colaborador como se ele deixasse suas dores na porta da empresa antes de bater o ponto.


Atração e retenção, principalmente em operações críticas como o varejo, não serão resolvidas apenas com vagas abertas, campanhas bonitas ou discursos sobre propósito. Em muitos setores, especialmente nos que dependem intensamente de mão de obra, será preciso entender melhor o contexto real de quem trabalha.


Nesses casos, talvez a pergunta não seja apenas sobre o porque as pessoas estão saindo, mas talvez a pergunta mais honesta seja sobre o que elas estão tentando resolver quando saem.


Concorda?


E se te fez pensar, faça acontecer.


Caio Camargo


 
 
 

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