top of page

M&A, IP e o Ativo que Ninguém Consegue Comprar

  • Foto do escritor: Comunicação
    Comunicação
  • há 24 horas
  • 3 min de leitura
fbm

Nos últimos meses, o mercado global de M&A (Mergers & Acquisitions) entrou em um

novo ciclo de crescimento acelerado, impulsionado por mudanças estruturais no

consumo, na tecnologia e nos modelos de negócio. Mais do que um aumento no volume

de transações, o que se observa é uma transformação profunda na lógica por trás dos

deals.

Se antes as aquisições eram majoritariamente táticas, focadas em ganho de escala ou

expansão geográfica, hoje os movimentos são cada vez mais estratégicos e orientados à

construção de plataformas de longo prazo. Nesse novo cenário, o principal ativo já não é

mais a distribuição, mas sim a propriedade intelectual. Marcas, personagens e universos

narrativos com potencial global passaram a ocupar o centro das estratégias de

crescimento.

Quem controla um IP (Intellectual Property, ou Propriedade Intelectual) relevante não

apenas acessa audiência, mas também domina as possibilidades de monetização e

expansão, conectando conteúdo, produtos, experiências e plataformas digitais de forma

integrada.

É nesse contexto que o setor de entretenimento e licenciamento se torna protagonista.

No entanto, entre todas as oportunidades que esse mercado oferece, existe um fator que

nenhuma aquisição consegue comprar… a capacidade humana de se conectar, construir

relações e gerar confiança. O que muitos chamam hoje de “networking” é, na prática,

um dos ativos mais valiosos — e muitas vezes subestimado — dentro dessa indústria.

Essa transformação também vem acompanhada de uma evolução no próprio modelo de

negócio. O conceito tradicional de “media company” está sendo substituído por

estruturas mais amplas, que funcionam como verdadeiras plataformas de monetização

de marca. Nesse novo modelo, o licensing deixa de ser uma extensão e passa a atuar

como eixo central, integrado a conteúdo, colaborações com o universo da moda e

cultura pop, experiências físicas como LBE (Location-Based Entertainment) e

iniciativas digitais.

Ainda assim, por trás de toda essa sofisticação estrutural, o elemento humano continua

sendo determinante. Vemos marcas com enorme potencial de se tornarem evergreen…

ou seja, marcas com relevância contínua ao longo do tempo, capazes de gerar demanda

consistente e rentabilidade recorrente… mas que não atingem esse estágio por uma

razão simples: falta de conexão real com o mercado.

De que adianta uma marca consolidada adquirir uma empresa com base apenas em

indicadores ou reputação percebida, sem existir um alinhamento genuíno entre as

pessoas que irão conduzir essa operação? No fim, são as relações, a confiança e a

capacidade de execução conjunta que determinam o sucesso… ou o fracasso… de

qualquer movimento estratégico.

Não é raro vermos grandes empresas globais, com estruturas sólidas fora do Brasil,

tentando entrar no mercado local de forma acelerada. Abrem operações, contratam

pessoas “de confiança” e, em pouco tempo, acabam destruindo valor que levou anos

para ser construído. Anos de construção podem ser comprometidos em poucos meses


quando não existe entendimento real do mercado e, principalmente, das pessoas que o

compõem.

Hoje, o M&A é guiado por uma série de indicadores: P&L, relatórios, receita, garantias

mínimas, royalties, headcount. Tudo isso é essencial… mas não é suficiente. Nenhum

número substitui a capacidade de construir relações genuínas. No fim do dia, negócios

são feitos por pessoas.


Arrisco dizer que saber conversar sobre a vida, entender o outro, construir confiança e

criar conexões verdadeiras pode ser tão importante quanto qualquer métrica financeira

ou conhecimento técnico… porque é justamente nessas relações que surgem as

oportunidades mais relevantes.


Aquele café, aquela conversa informal ou até mesmo um encontro despretensioso pode,

no futuro, se transformar em uma parceria estratégica, uma aquisição ou o início de um

novo ciclo de crescimento.


No novo momento do M&A, talvez o maior diferencial competitivo não esteja apenas

nos ativos, nos números ou nas estruturas… mas na capacidade de construir relações

reais, duradouras e estratégicas.


E, no final, é isso que sustenta qualquer grande negócio.

E você, quando foi a última boa xícara de café que você tomou e falou sobre tudo,

menos sobre negócios? Se quiser, me convida… vai ser um prazer. 


Meu nome é Rodrigo Dagnolo, Vice-presidente de Licenciamento da FBM e fundador & CEO da

byFrog Co. (www.byfrog.com.br). Gosto muito de cultura pop, sou gamer da década de 90,

apaixonado por entretenimento e um ex-corporate guy.

Instagram: @byfrog

Comentários


bottom of page