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Liderança 5.0: usando o cubo para administrar complexidades

  • Foto do escritor: Comunicação
    Comunicação
  • 13 de abr.
  • 5 min de leitura
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Líderes de organizações globais como Walmart e Coca-Cola pedem para sair por entenderem que não são os mais indicados para conduzir esses negócios diante dos iminentes novos desafios gerados pela rápida e irreversível transformação da realidade, em especial precipitada pela massificação no uso da Inteligência Artificial (IA).


Um dos desafios mais presentes é o exercício da liderança nos cenários atuais, considerando a velocidade, a amplitude, a profundidade e a dinâmica das transformações que temos vivido.


Isso é um alerta de que os modelos, práticas e conceitos de liderança desenvolvidos ao longo do tempo devem ser repensados, buscando ajustes em sua lógica, princípios e a necessária adaptabilidade e flexibilidade demandadas por tudo o que o presente e o futuro sinalizam.


E talvez seja essa a questão que mais desafia os líderes atuais na busca por respostas.


Ao mesmo tempo, isso os aproxima, conscientes de que absolutamente todos estão enfrentando dilemas e dúvidas similares. Talvez por conta disso, existam tantos eventos, encontros, discussões e debates em busca de caminhos.


Como contribuição para o repensar do tema, nos provocamos com a proposta da Liderança 5.0, buscando combinar dimensões que devem estar presentes no exercício da liderança atual e futura, e mesclando elementos tradicionais e outros mais demandados pelo ambiente em transformação.

A proposta da Liderança 5.0 envolve as dimensões:


  • Situacional

  • Dinâmica

  • Plural

  • Circunstancial

  • Estratégica


Sua prática pode ser entendida a partir da mesma lógica do cubo, em que a combinação desses elementos permite respostas distintas na forma de liderar, considerando a estratégia para diferentes negócios, realidades, momentos, perspectivas e perfis dos liderados, dentro dos valores, princípios e missão de cada organização.


E que essa práticas sejam válidas tanto no setor privado, quanto no público e no institucional.


Liderança situacional


É o conceito tradicional que envolve o comportamento de um líder flexível e adaptável ao perfil do liderado.


Considera o grau de maturidade, experiência, prontidão, iniciativa e atitude do liderado para orientar a atuação do líder na estruturação, no detalhamento, na orientação, no esclarecimento e na formatação das demandas, bem como no relacionamento com o liderado.


É um conceito clássico de liderança que se tornou ainda mais importante diante do convívio e da interação de diferentes gerações e percepções nos diferentes ambientes.


E, por conta da dinâmica das mudanças, exponencia a combinação de comportamentos, expectativas, experiências e níveis de maturidade pessoal e profissional nos mais diversos ambientes.


Liderança dinâmica


Nos diferentes setores público, privado ou institucional em que atuam os líderes, muitas vezes convivem propostas distintas envolvendo objetivos de curto, médio e longo prazos, que devem ser buscados na interação com seus liderados.


Dentro de uma mesma organização, convivem áreas, negócios ou atividades com diferentes níveis de maturidade, estruturação e ambição, inerentes às características e momento dos subsegmentos.

Essa pluralidade de objetivos exige flexibilidade, adaptabilidade e modelo e comportamento dinâmicos dos líderes, combinando elementos de forma a atuar sempre como catalizador e potencializador das competências dos diferentes times para o alcance dos resultados.


E, considerando que, cada vez mais, não se pode esperar dos líderes todas as respostas a todas as questões, mas, sim, sua capacidade de formatar as questões e de orquestrar, da forma correta, os diversos times na busca das respostas e, principalmente, por resultados.


Liderança plural


O simples enunciado de todos os elementos anteriores já define o caráter plural da liderança atual e futura.


A necessidade de combinar elementos como perfil dos liderados, diferentes objetivos e a maturidade dentro das organizações, o momento e a estratégia de cada atividade, em um cenário profundamente dinâmico, acaba por definir essa necessária condição plural.


Os maiores desafios e maior pressão não são gerados pela complexidade dos cenários, mas sim pela simultaneidade de tudo que acontece em todos os planos.


E é por isso porque não falamos do líder, que traz a conotação de um perfil, comportamento ou atitude, mas sim da liderança em sentido mais abrangente e dinâmico.


Liderança circunstancial


O cenário dinâmico exponenciado pela IA que vivemos atualmente torna tudo volátil e volúvel, e esses elementos tornam o exercício da liderança um permanente convívio com o circunstancial, pois a única constante é a mudança, como já propunha o filósofo grego Heráclito.


Não deixa de ser curioso imaginar a interpretação desse conceito na Grécia Antiga, em comparação com o que se vive nos dias atuais.


Sem transigir com os valores e a missão das organizações, a dinâmica da liderança circunstancial se aplica à necessidade de compor, organizar, adaptar e flexibilizar, considerando que os mitos e as verdades da realidade que vivemos podem e são constantemente alterados por novos elementos no campo político, econômico e por tudo que envolve o digital. E, ainda mais, o inevitável avanço da IA.


O avanço da Inteligência Artificial em todos os setores constitui, em si mesmo, um elemento disruptivo de tal magnitude que justifica o repensar de tudo que envolve a liderança.


O impossível de ontem pode se transformar no viável de logo mais.


Tudo isso traz o desafio de uma dimensão circunstancial da liderança que tenha a flexibilidade e adaptabilidade para conviver com esses cenários, propondo modelos e comportamentos que convivam com o circunstancial, mas que mantenham o rumo na direção do que deve ser alcançado.


Liderança estratégica


É aquela que envolve os desafios de liderar com a visão estratégica, em um contexto no qual a exponenciação de elementos em transformação, nas mais diversas dimensões, empurra para a gestão operacional e focada de curto prazo.


São tantos e tais elementos interagindo ao mesmo tempo que há uma natural tendência de focar em tudo aquilo que demanda respostas e soluções de curto ou médio prazo, sempre pressionado pelo tempo cada vez mais implacável.


E considerando que o nível de exigência e de cobrança cresce em intensidade ainda maior, pressionado pelo mercado mais informado e conectado.


Um dos desafios mais relevantes nesse processo é conviver com as demandas e os apelos do curto e médio prazos, sem perder a visão, a atualidade e a coerência com as dimensões estratégicas.


Para concluir


Na complexidade dos cenários presente e futuro, exponenciados por tudo que a IA está incorporando, a liderança será, cada vez mais, a gestão de decisões em ambientes em constante incerteza.


A visão clássica dos perfis de liderança deve evoluir para algo ainda mais abrangente, com a combinação de elementos em contínua e permanente transformação e estimulando o desenvolvimento constante, individual e coletivo.


E o melhor entendimento desse momento para as lideranças pressupõe a capacidade de envolver e, principalmente, integrar, de forma virtuosa, negócios, pessoas, tecnologia, modelos e iniciativas, para avanços em conjunto e mais relevantes.


Tão simples de enunciar, tão complexo de administrar.


Esta é uma proposta apenas para o repensar da liderança, com a única certeza de que todos os que estão envolvidos, diretamente ou indiretamente, com o tema, no fundo, bem sabem que as dúvidas são significativamente maiores do que as certezas.


E que isso pode ser o necessário ponto de partida para aprender e se desenvolver de modo coletivo e integrado.

Vale refletir.


Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado&Consumo.

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